Lembranças de morrer
Quando em meu peito rebentar-se a fibra,Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nenhuma lágrima
Em pálpebra demente. […]
Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poente caminheiro
Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;
Como desterro de minh’alma errante,
Onde fogo insensato a consumia;
Só levo uma saudade - é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia. […]
Álvares de Azevedo

Nenhum comentário:
Postar um comentário