terça-feira, 6 de novembro de 2012

Lembranças de morrer
Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nenhuma lágrima
Em pálpebra demente. […]

Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poente caminheiro
Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;

Como desterro de minh’alma errante,
Onde fogo insensato a consumia;
Só levo uma saudade - é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia. […]

Álvares de Azevedo

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